quarta-feira, 1 de junho de 2011

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Como abandonar os hábitos bucais de sucção (chupeta, mamadeira, sucção do dedo...)?



      Hoje vou continuar com as dicas de odontopediatria preventiva que aprendi no curso de gestação, realizado na minha cidade. O enfoque agora é no abandono do hábito. Introduzir requer paciência e persistência e acho que o processo de abandono requer mais ainda. Não pretendo com o post anterior e com o presente incentivar o uso de chupetas e mamadeiras (eu não tenho ainda nenhuma mamadeira em casa). O objetivo é orientar os pais e cuidadores com dicas de profissionais da área e oportunizar o diálogo e troca de experiências que deram certo, ou não, para construirmos o conhecimento juntos.

      Logo de início, converse e explique à criança todas as conseqüências do hábito. Geralmente as crianças são receptivas, querem tentar e ajudar no processo. O primeiro passo será deixar de usar durante o dia. Sempre que a criança esquecer, a mãe deve lembrar do combinado e à noite será permitido apenas um pouco antes de dormir.

    O hábito será permitido cada dia menos, aos poucos, até que a criança sozinha escolherá algo mais gostoso e prazeroso. O uso deve ser controlado progressivamente, como marcar o tempo por dia. Por exemplo, no primeiro dia 1 minuto sem a chupeta; no segundo 2 minutos sem a chupeta, e assim por diante. A própria criança sente-se segura, feliz e vitoriosa ao perceber que já não sente tanta vontade.

      O mais importante é lembrar que o abandono do hábito deve ser gradativo e o primeiro passo é restringir o uso durante o dia e depois na hora de dormir. A hora do sono é o momento que a criança precisa mais de apoio dos pais, sendo fundamental que eles fiquem perto, conversem, contem histórias, dêem atenção, carinho, façam massagem, cantem, etc. Assim a criança se desliga do hábito até parar definitivamente.

       O momento ideal é que aquele em que os pais estejam se relacionando bem, a criança não esteja doente, não haja um novo irmãozinho em casa ou à caminho. Essas são situações que geram tensão e o hábito pode representar um apoio. Se o momento for favorável, será possível negociar o tempo e a freqüência diária, não se esquecendo de retirar sempre logo após adormecer.

      Identificar os momentos em que o hábito se torna mais freqüente. Deve-se desviar a atenção da criança para outras atividades. Por exemplo: quando o sono está chegando ou ela está aborrecida, faminta, de mau humor, agitada e sabem que precisa se acalmar, insastifeita após a amamentação, cansada, em frente á TV ou no carro. Nesses momentos, os pais podem contar uma história, assistir à um filme, cantar uma música, segurar na mão ou mesmo oferecer colo (através de carinho, uma massagem e suporte emocional), que ajudam a desviar a atenção por outras formas de conforto. O hábito vai perdendo importância para as outras sensações mais prazerosas trazidas pelos pais. A criança vai gradativamente desligando-se do hábito.

      O desligamento do hábito ocorre de maneira lenta e cada criança precisa de um tempo diferente para que isso aconteça. Não se devem usar métodos radicais, como passar pimenta na chupeta ou jogá-la fora. Nem métodos que afetem sua auto-estima. Atitudes agressivas podem tornar a criança mais insegura, magoada ou humilhada, colocando-se em dúvida o amor dos pais e trazendo-lhe outros problemas de natureza psicológica.

      A maioria das crianças precisa de um elemento de transição que lhe traga aconchego, afeto, segurança e companhia, que pode ser um bichinho de estimação, de pano ou outro brinquedo preferido.

      Também vale negociar em datas especiais, com o atrativo de um personagem como, por exemplo: Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Fadinhas, etc. Ao oferecer a troca, é preciso que os pais estejam atentos para perceber se a criança se sente preparada e segura, caso contrário, poderá haver um sentimento de frustração e impotência por parte da criança e dos pais.  Caso isso aconteça, deve-se continuar motivando a criança até que ela se sinta seguro o suficiente para a remoção.

DICAS PARA A REMOÇÃO DA CHUPETA:

· É aconselhável retirar a chupeta entre um ano e meio no máximo, para que se evitem problemas no desenvolvimento das arcadas;

·  Seja paciente. Nada de tirar a chupeta da criança de forma brusca, caso contrário ela poderá passar a chupar o dedo, o que é ainda pior;

·  Chupeta não substitui atenção e carinho;

·  Não ofereça chupetas a todo instante, apenas para satisfazer a necessidade de sugar;

·  Na remoção do hábito sempre tentar prevalecer o “ganho” e não a “perda”;

·  Atenção para criança portadora do hábito e não simplesmente para o hábito;

· Quando a criança estiver chupando dedo ou chupeta chame-a para fazer uma atividade mais prazerosa como brincar;

· Não se deve prender a chupeta à roupa da criança, nem deixar várias disponíveis no berço ou pela casa;

·  A partir de um ano de idade, os pais podem iniciar o processo para que a criança abandone o hábito;

· As tentativas de remoção do hábito podem coincidir com situações de estresse da criança, como a ida a escola, nascimento de um irmão ou separação dos pais. Nestes casos é preferível adiar;

· Explore a fantasia, vale contar histórias em que a chupeta tenha participação especial;

· Não tente removê-la oferecendo um presente e tirando a chupeta imediatamente, sem a remoção gradativa e lenta;

· Para evitar estrangulamento, nunca amarre a chupeta no pescoço do bebê nem a coloque amarrada na roupa;

· Se a criança dorme com a chupeta tire-a assim que a adormecer;

      Conclusão: com paciência, amor e um pouco de criatividade você pode ajudar seu filho a abandonar a chupeta e a mamadeira sem nenhum trauma. Nunca deixe a chupeta à mostra. Guarde-a sempre em um recipiente, esterilize-a e ferva-a com freqüência, por pelo menos 5 minutos.

RESULTADO DA ENQUETE SOBRE USO DA CHUPETA:
     Mamães, adorei a participação de vocês. Além de aprender com as experiências relatadas, vocês deixaram o post muito mais informativo e útil. Conto com suas contribuições e trocas de idéias. Eu e as mamães do blog agradecemos!

  • Usam chupeta: 7 filhos; sendo 5 com idade por volta de 3 meses de vida e 2 com idade de 1 a 2 anos. 
  • Não usam chupeta: 8 filhos, com idade por volta de 2 a 3 meses de vida.


4 comentários:

  1. Valeu pelas dicas Aninha! Eu fui uma criança que dei trabalho para os meus pais quanto ao uso da chupeta e mamadeira..mas parece que o Elias não vai puxar pra mamãe aqui..rs rs.

    Bjus

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  2. Aqui continuo na batalha com os dedinhos deliciosos de chocolate...rsrs
    mas vou vencer =]
    bjuuu

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  3. Cy, sabe que esta semana Erik quase não colocou o dedo na boca e tem usado pouco a chupeta, principalmente na hora de dormir.

    San, fico dividida. Introduzi a chupeta e Erik está cada vez mais acostumado com ela, mas nao criou dependencia ainda, graças a Deus. Pq toda vez que a pego, já penso em não viciá-lo e em como retirar este hábito.

    bjuusss

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  4. Otimo, Ana! Por enquanto, continuo colocando a chupeta na boquinha do Miguel assim que ele coloca os dedos - todos - na boca. Mas pretendo acabar com o hábito antes de 1 ano, assim que a necessidade de sucção estiver menor.
    Beijossss

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